Homicídios de indígenas mais que dobram no Amazonas entre 2023 e 2024, revela estudo
26/05/2026
(Foto: Reprodução) Comunidade Indígena Vila Betânia - Mecürane do povo Tikuna, em Santo Antônio do Iça, no Amazonas
Michael Dantas/WCS Brasil
O número de homicídios de indígenas no Amazonas mais que dobrou entre 2023 e 2024, passando de 36 para 73 casos. O aumento foi de 102,7% no período. Os dados constam no painel do Atlas da Violência 2026, divulgado nesta terça-feira (26) pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública.
De acordo com o levantamento, a taxa de homicídios entre indígenas no estado subiu de 21,4 para 47,8 mortes por 100 mil indígenas, uma variação de 123,4%. O relatório aponta “agravamento da violência contra indígenas no estado”.
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Os índices também apontam que os homicídios de indígenas se concentram em áreas de fronteira econômica marcadas por disputas territoriais e pela inserção periférica em atividades econômicas legais e ilegais.
O documento classifica os crimes como “uma violência fortemente territorializada, intimamente vinculada a contextos de conflito socioambiental”.
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Histórico
Entre 2014 e 2024, o número de homicídios de indígenas no Amazonas oscilou, mas manteve tendência de alta ao longo da década. No período, o aumento foi de 192%. Se levados em consideração os dados dos últimos cinco anos, entre 2019 e 2024, o aumento foi de 49%.
Ainda segundo os dados, o ano de 2024 foi o que mais teve homicídios de indígenas registrados no estado durante todo o período.
Confira o número de homicídios de indígenas no Amazonas por ano:
2014: 25 casos;
2015: 38 casos;
2016: 44 casos;
2017: 56 casos;
2018: 48 casos;
2019: 49 casos;
2020: 43 casos;
2021: 41 casos;
2022: 38 casos;
2023: 36 casos;
2024: 73 casos.
O g1 questionou a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) sobre os dados apresentados no Atlas da Violência 2026 e quais ações estão sendo tomadas para a proteção dos povos originários, mas até a atualização mais recente desta reportagem não houve resposta.
Foi divulgado hoje (26/05) o Atlas da Violência