STF rejeita habeas corpus de ex-secretária da Aleam investigada no núcleo político do CV no Amazonas
12/03/2026
(Foto: Reprodução) Adriana Almeida Lima, ex-secretária de gabinete na Assembleia Legislativa do AM, é presa
A Justiça negou mais um pedido de liberdade para a advogada Adriana Almeida Lima, presa na operação que apura a atuação do chamado “núcleo político” do Comando Vermelho no Amazonas. Segundo as investigações, ela foi ex-secretária de gabinete de liderança na Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), e está entre os oito investigados presos no estado.
De acordo com a investigação, o grupo é suspeito de ajudar a organização criminosa a movimentar dinheiro e facilitar a logística do tráfico de drogas. A operação, que levou às prisões, foi deflagrada em fevereiro e também cumpriu mandados em outros estados. Nove investigados seguem foragidos.
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), rejeitou o habeas corpus. A decisão, divulgada na terça-feira (10) e publicada na quarta-feira (11), mantém a prisão preventiva da advogada.
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A defesa recorreu ao STF depois que o Superior Tribunal de Justiça (STJ) também negou a soltura. No recurso ao STF, os advogados alegaram que não havia requisitos para manter a prisão preventiva e pediram a revogação da medida, com ou sem aplicação de cautelares.
Ao analisar o caso, Alexandre de Moraes entendeu que o STF não poderia julgar o pedido neste momento porque ainda não houve esgotamento das instâncias anteriores. Por isso, decidiu não conceber o habeas corpus, mantendo a decisão que negou a liberdade da investigada.
Prisão na operação
Operação Erga Omnes foi deflagrada em 20 de fevereiro e cumpriu mandados de prisão preventiva e de busca e apreensão no Amazonas e em outros estados.
A ação resultou na prisão de investigados e na apreensão de carros de luxo, dinheiro em espécie e documentos. Segundo a polícia, nove suspeitos seguem foragidos, incluindo o apontado como líder do grupo.
De acordo com a decisão judicial, a prisão de Adriana Almeida Lima foi baseada em indícios de participação nos crimes e em provas coletadas durante a investigação.
Entre os elementos citados estão a apreensão de 523 tabletes de skunk e sete fuzis, que deram origem às investigações, além de relatórios de inteligência financeira que apontam movimentação considerada atípica superior a R$ 70 milhões.
A Justiça também apontou risco à ordem pública e à investigação, destacando que o grupo teria atuação interestadual e capacidade financeira e operacional significativa.
Segundo as autoridades, há ainda indícios de tentativa de infiltração em estruturas do Estado para obter informações sigilosas sobre investigações.
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Advogada Adriana Almeida Lima, presa durante a operação que investiga atuação do chamado núcleo político do Cv no AM
Foto: Reprodução/Redes Sociais
Como era o esquema
Segundo a polícia, a organização criminosa movimentou cerca de R$ 70 milhões, o equivalente a aproximadamente R$ 9 milhões por ano desde 2018, e atuava em conjunto com traficantes do Amazonas e de outros estados.
As investigações apontam que os suspeitos facilitavam a contratação de empresas de fachada nos setores de transporte e logística. Na prática, essas empresas seriam usadas para comprar drogas na Colômbia e enviá-las a Manaus. Da capital amazonense, os entorpecentes seriam distribuídos para outras unidades da federação.
Os investigados devem responder por organização criminosa, associação para o tráfico de drogas, corrupção ativa e passiva, violação de sigilo funcional, lavagem de dinheiro, ocultação de patrimônio e violação de sigilo funcional.
INFOGRÁFICO - Operação contra 'núcleo político' do CV no Amazonas [VALE ESTE]
g1